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Mostrando postagens de fevereiro, 2026
  2º Domingo da Quaresma [1º de março de 2026] Escutar a voz do Senhor [Mt 17,1-9] O relato da transfiguração é apresentado logo após o anúncio da paixão, seguido da repreensão de Pedro que esperava um messias poderoso para libertá-los das mãos dos romanos. Por isso dizemos que nesse relato estão entrelaçados dois aspectos paradoxais: sofrimento e glória. Lucas o confirma ao relatar que a conversa entre Moisés, Elias e Jesus versava sobre “sua partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9, 31). O que esse relato nos quer transmitir? É um apelo aos discípulos a reconhecerem a verdadeira identidade de Jesus, o Filho amado do Pai, ao mesmo tempo que evidencia o crime hediondo daqueles que tramam sua morte. Moisés e Elias: este ultimo, representante dos profetas e aquele, da Lei. Ambos encontraram-se com Deus na montanha. Aqui, porém, eles nem têm o rosto transfigurado nem ensinam os discípulos, mas conversam com Jesus.   O episódio da transfiguração mostra Jesus, o F...
  1º Domingo da Quaresma [22 de fevereiro de 2026] A grande tentação é desvia-se do Caminho [Mt 4,1-11] O tempo da Quaresma nos remete aos quarenta anos de travessia do deserto pelo Povo de Israel. Tempo e lugar de provação, de cansaço, de dor, de carências e privações. Lugar de encontro com Deus e com o Diabo. Lugar de fortalecer as raízes no caminho do bem. Por que não dizer que o deserto é também o nosso cotidiano? As desordens da vida, as seduções, as provações, as aflições e desafios que a vida nos coloca são nosso deserto. A quem recorremos? Como lidamos? De que armas nos servimos? Por quem optamos? De que lado nos colocamos? Jesus faz essa experiência: quarenta dias se preparando para a missão. Esse tempo representa toda a sua vida que foi tempo de prova, das tentações de um messianismo sectário, mas também de experiência do Pai a quem foi sempre fiel. As tentações de Jesus são também as nossas. O tentador quer levá-lo a desviar-se do projeto do Pai. Na primeira te...
                                                         Quarta-feira de Cinzas [18 de março de 2026]   Oração, Jejum e Esmola: um sentido de vida [Mt 6,1-6.16-18] Não nos é dado saber com certeza data e local precisos do surgimento da Quaresma na vida litúrgica da Igreja. O que sabemos é que ela foi se formando progressivamente. Estava entranhada na consciência dos cristãos a necessidade de dedicar um tempo em preparação à celebração da Páscoa do Senhor. As primeiras alusões a um período pré-pascal estão registradas lá pelo século IV. Consta também que, na Quinta-Feira Santa, acontecia a reconciliação dos pecadores; e que na Vigília Pascal se realizavam os batizados dos catecúmenos (aqueles que estavam preparados para o batismo). Esses dois costumes, vividos desde a antiguidade da fé cristã, vem mostrar...
  6º Domingo do Tempo Comum [15 de fevereiro de 2026] Jesus interpreta o Ensinamento de Deus (Torá) [Mt 5,17-37] Estamos no capítulo 5º de Mateus. No domingo retrasado rezamos o Evangelho das Bem-aventuranças: a verdadeira felicidade está em viver segundo o Espírito de Jesus. No domingo passado vimos que o discípulo é chamado a iluminar e a dar novo sabor à própria vida e à vida dos outros a partir de Jesus. Hoje, continuando a leitura do mesmo capítulo, ouvimos o ensinamento novo de Jesus em relação à Lei. A fidelidade à Lei ou Torá , Ensinamento do Senhor, - os cinco primeiros livros da Bíblia, normalmente lidos nas sinagogas aos sábados - era o que colocava o judeu piedoso no caminho da santidade e da justiça. A dificuldade apontada por Jesus na reforma que ele faz da Lei era o entendimento corrente no seu tempo, de que bastava a fidelidade externa, uma observância à letra da Lei para ser justo. Jesus mostra que cumprir a Lei não é executar o que está prescrito ou deixar...
Fragilidade e peso da fé A fé é um dom que comporta dois elementos: é frágil e é pesada. Sua fragilidade está em se quebrar e se apagar com pouca coisa. Nossos desvios e pecados podem sufocar e apagar a fé. Seu peso consiste em implicar mudança radical de nossos critérios de vida. Crer tem consequências. Nesse sentido ela exige de nós atitudes que reorientam nossos desejos e instintos egoístas. Ao mesmo tempo que nos dobramos ao peso do dom da fé, alimentamo-la com nossas práticas virtuosas, que nem sempre são fáceis de realizar. Portanto, nesse sentido peso e fragilidade se interrelacionam. A fé se fortalece na medida que assumimos o peso que ela mesma nos impõe. Quando Jesus diz que seu "peso é suave" e seu "fardo é leve" (cf. Mt 11,29 ), parece dizer-nos que, querendo ou não, a vida tem seu fardo, mas vivida ao lado dele, ela ganha novos sabores e novo colorido. Os fardos que carregamos com Jesus encontram sentido. Glorificam o Pai. É uma realidade que só podemos...